São Tomé e Principe

RASCUNHO PARA COMENTÁRIOS- POR FAVOR NÃO CITAR

A seguir uma breve descrição da problemática do dendê em São Tomé e Príncipe. Após sua leitura, convidamos você para nos enviar comentários a fim de aperfeiçoar este texto. A versão final será incluída em uma publicação do WRM sobre as plantações de dendezeiros na África que será publicada neste ano.

A palmeira dendém em São Tomé e Príncipe

A palmeira-demdém ou palmeira de-andim cresce naturalmente nas duas principais ilhas que compõem esse país e hoje encontra-se principalmente nas florestas secundárias (1). Apesar de que as ilhas não estavam habitadas quando chegaram os portugueses entre 1469 e 1472, o posterior processo de cultivo da cana-de-açúcar, baseado no trabalho escravo (2)  implicou a chegada forçada de africanos de Benim, Congo e Angola (3) , que conheciam os usos tradicionais dessa palmeira.

Portanto, hoje não somente suas folhas são usadas na tecelagem de cestas, bolsas, vassouras, mas também é comum seu uso para a produção de vinho de palma que é extraído dessa palmeira no país inteiro. De acordo com dados recolhidos em visitas de campo, as regiões de Bombaim, Nova Ceilão, e Claudino Faro agora têm mais de 500 pessoas trabalhando como extractores de vinho. O produto gera considerável renda entre extractores de vinho e vendedores (4). No interior, o vinho de palma é comprado por pouco dinheiro a vendedores ao longo do caminho (5). O óleo de palma é de grande importância para a economia local. Este óleo é extraído pelos povoadores locais para uso agrícola (6), apesar de que também é comercializado -do mesmo jeito que o vinho- pelas mulheres comerciantes de peixe chamadas “palayes” (7).

Depois da independência em 1975, a Comunidade Europeia financiou a plantação de 650 hectares de palmeiras demdém em Ribeira Peixe, no sul da ilha de São Tomé. Um empréstimo do Banco Europeu de Investimento fez possível estabelecer uma fábrica de óleo de palma (Empresa de Óleos Vegetais – EMOLVE) com suficiente capacidade para satisfazer as necessidades alimentares de óleo comestível da população inteira (8). Até 1990, a planta industrial da Emolve produzia umas 2000 toneladas de óleo ao ano, o que permitia cobrir as necessidades do país. Durante a década de 80, a Emolve continuou ampliando a área de plantações, mas o fim do governo de Pinto da Costa em 1990 determinou uma posterior queda da produção que diminuiu para menos de 100 toneladas anuais (9), até chegar a sua paralisação em 2007. Vários factores foram a causa disso: de um lado, as matas de palmeiras demdém envelheceram, e de outro, o equipamento e instalações da companhia se deterioraram (10). Em 2008, o equipamento foi melhorado um pouco com uma contribuição do governo de Taiwan (11), mas sem que isso chegasse a resolver o problema.

Chega-se assim a 2009 quando aparece um novo actor em cena: a empresa belgo-francesa Socfinco (registada localmente como Agripalma) (12), que faz parte do poderoso Grupo Bolloré, sediado na França (13) . O projecto da Socfinco visa à produção de aproximadamente 20.000 toneladas de óleo de palma destinadas à fabricação de biocombustível na Bélgica (14). A companhia espera começar a exportar sua primeira produção de óleo de palma no prazo de cinco anos (15).

O projecto se desenvolverá em aproximadamente 5.000 hectares de terra sobre os que a empresa belga tem assinado um acordo de concessão com o governo, por um período (renovável) de 25 anos (16). O projecto prevê a reabilitação e ampliação das plantações de palmeiras demdém na área norte da ilha de Príncipe e no sul de São Tomé, além da construção de uma fábrica de óleo de palma na Roça Sundy, na ilha de Príncipe, e reabilitar a oleaginosa de Ribeira Peixe, em São Tomé (17).

1 – http://www.cbd.int/doc/world/st/st-nr-03-en.pdf

2 – http://es.wikipedia.org/wiki/Santo_Tom%C3%A9_y_Pr%C3%ADncipe

3 – http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/article/cea_0008-0055_1986_num_26_101_2168

4 – http://www.cbd.int/doc/world/st/st-nr-03-en.pdf

5 – http://wikitravel.org/en/Sao_Tome_and_Principe

6 – http://www.cbd.int/doc/world/st/st-nr-03-en.pdf

7 – http://www.ifad.org/gender/learning/sector/agriculture/26.htm

8 – http://www.euforic.org/courier/168e_cor.htm

9 – http://www.continentalmag.com/site/index.php?option=com_content&task=view&id=1291

10 – http://www.cbd.int/doc/world/st/st-nr-03-en.pdf

11 – http://www.correiodasemana.info/IMG/_article_PDF/article_422.pdf

12 – http://www.ipim.gov.mo/worldwide_partner_detail.php?tid=13115&type_id=1277&lang=en-us

13 – http://www.socfinal.lu/Public/

14 – http://www.continentalmag.com/site/index.php?option=com_content&task=view&id=1291

15 – http://www.ipim.gov.mo/worldwide_partner_detail.php?tid=13115&type_id=1277&lang=en-us

16 – http://www.siged-diplomatique.com/spip.php?breve562

17 – http://tiny.cc/gtwb9

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