Guiné-Bissau

A seguir uma breve descrição da problemática do dendê em Guiné-Bissau. Após sua leitura, convidamos você para nos enviar comentários.

A palmeira demdém na Guiné-Bissau

A palmeira demdém (ou dendezeiro) cresce selvagem na maior parte do país, incluindo o seu território insular. Em um artigo publicado em 1925, descreve-se a dispersão da espécie da seguinte forma:

“Encontra-se espalhada por toda a Guiné, sendo contudo no litoral que a sua densidade é maior. As três principais regiões de palmares são o arquipélago de Bijagós, Costa de Baixo, como Pecixe e Jata, S. Domingos, e uma pequena região nas margens do rio Geba, entre Bambadinca e Báfatá. Encontram-se também importantes palmares pelo interior da Província”.[1]

A mesma fonte explica que “Os indígenas, na maioria dos casos, limitam-se a utilizar a palmeira tal qual a encontram no mato, quer colhendo os regimes para extrair o óleo de palma e coconote (que na Guiné se chama caroço), quer extraindo o vinho de palma”.[2]

Com relação a este último, o mesmo estudo relata que “Por toda a Guiné o indígena extrai da palmeira o vinho de palma, sobretudo os balantas, papeis, manjacos e felupes” acrescentando que “O indígena geralmente não consome fresco; deixa-o fermentar de um a três dias, transformando-o numa bebida alcoólica que muito aprecia e com que se embriaga. [3]

Em 1879, Portugal declarou à Guiné-Bissau como uma província portuguesa. Um golpe militar em Portugal levou o ditador António de Salazar ao poder em 1926. Seu regime repressivo transformou a Guiné Bissau em uma vasta plantação de amendoim e de óleo de palma.[4] O trabalho forçado foi imposto para a extracção de óleo de palma, e para as plantações de arroz e amendoim.[5]

Hoje em dia, abundam as palmeiras nas áreas costeiras. Trata-se de palmeiras que nascem espontaneamente e que as pessoas protegem durante os momentos de capinar a terra para preparar o solo para os cultivos. A colheita e o processo dos frutos secos estendem-se de março até julho, e depois começa a colheita agrícola.

Apesar de que a colheita dos frutos é uma actividade masculina, o resto do tratamento (trituração, crivagem e refinação de nozes de palma) é levado a cabo pelas mulheres que têm a responsabilidade de negociar a venda do óleo (Ver fotos do processo em http://www.attenzione-foto.com/features_show.php?id=84). Para produzir em maior escala, as mulheres se reúnem em grupos de auto-ajuda temporal, em associações ou dentro da mesma família. Esses grupos providenciam óleo de palma local para Bissau, que é mais apreciado que o óleo refinado importado, e apesar de que seu preço é mais alto, é preferido, já que se precisa menor quantidade de óleo para que um prato adquira o bom sabor.

Essas agrupações têm uma função vital na transformação da mercadoria e seu fornecimento aos mercados urbanos. Sem eles, os frutos da palma se utilizariam apenas para o consumo das famílias rurais, salvo aqueles frutos dos hortos de palmeiras perto da capital que se vendem nos mercados sem qualquer tratamento. Essa valorização anima os agricultores a protegerem a palma e ao mesmo tempo a levar a cabo algumas melhorias e plantações.

O óleo de palma é também uma fonte importante de renda para o país. No Senegal, é um óleo de luxo. É portanto a esse país que a Guiné-Bissau exporta seus excedentes.

Como em muitos outros países da África (Camarões, Libéria, Serra Leoa, Tanzânia, Nigéria, Gana), a empresa holandesa de gestão e consultoria HVA International realizou estudos para diferentes clientes em projectos de óleo de palma na Guiné-Bissau.[6] No entanto, até agora, nenhum investidor parece ter estado seriamente interessado em investir neste país.

Considerando as excelentes condições para o desenvolvimento desta cultura no país, é provável que esta falta de interesse seja devida à instabilidade política que aflige o país desde o assassinato do seu líder histórico Amílcar Cabral em 1973. De outro lado, em tempos mais recentes, o país parece ter se tornado um narco-estado com uma forte presença e influência dos traficantes de drogas colombianos.[7]

Neste contexto, as tentativas do actual governo para atrair investidores [8] parecem ter pouca chance de sucesso.

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